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O pouco que me restava

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Diante de mim não havia nada, a não ser o pouco que me restava para nada ser e os segundos desgarrados do meu tempo de viver. Fugiam os grãos das minhas mãos como pássaros que nunca tinham visto o mundo, e por detrás das barras das gaiolas do relógio, se desprendiam de mim para que não se deixassem levar pelos ventos que precediam bem distantes a tempestade que em mim se manifestava. O tempo era pouco, os minutos corriam como cavalos de areia de ampulheta, apressando-se para bem distante, arrastando carruagens velhas de lembranças incompletas e cadáveres de antigas expectativas de um adolescente primitivo, abraçando as gotas da minha chuva, edificando a morte; estreita entre eu e a calçada que me dava colo quando não podia eu ficar de pé para enchergar o horizonte griso e revolto que me assediava. Era um flerte constante entre o vácuo da morte e o infrutífero campo seco dos meus olhos sem reflexo. Estava ela, a morte, intensamente obcecada pela criança suja, rasgada aos trapos da des...