Carinho
O quão devastador foi me drogar e assistir quase que em câmera lenta a adicção roubando meus amigos, família e até mesmo, inimigos. Não houveram flertes, namoros, sorrisos, bailes, danças, cartas, abraços ou afeto. Eu vim de um cinza que me tomou no colo assim quando criança. Meu pai bebia demais, agredia demais, estuprava demais e roubava demais para ser pai. Minha mãe, por obrigação, foi e é ausente. Eu tive que ser pai do meu irmão. Coloca-lo para dormir, fazer sua comida, leva-lo para a escola, ensina-lo a fazer seu deveres escolares, ajuda-lo a escovar seus dentes, para quando ele crescesse, sequestrasse um playboy e enfiasse um oitão no rosto de uma grávida chamando-a sem dó e nem remorso de vaca burguesa. Nunca fomos amigos. Ele assaltante, sequestrador e traficante, e eu, nóia. Esquecemos nosso parentesco quando escolhemos ser homenes cada um de sua maneira. Eu não pude ser c...