Uso em uso
Naquele entardecer violento, onde o crepúsculo parecia chamas de um céu em guerra, trepidava eu até a biqueira por mais alguns riscos doentios de cocaína. É como se o diabo esfolasse minha cara, e tudo que eu sentira fosse torpor. Parece que é de fora, mas os vermes vem de dentro para extirpar as entranhas. É mais do que um maldito comichão que me coloca à rastejar no asfalto quente da grandiosa metrópole, que engole a si própria, faminta por alienação. Esgueirando dos muros, postes e guias, vou eu, lentamente em direção à minha sina. Olhando de fora, parece bem mais atraente atirar na própria cabeça, ou atar o nó perfeito para enforcar a vida sorrateira que a aleatoriedade do universo me concedeu. Mas pouco a pouco é que eu vou morrendo, mais rápido do que a vida em si poderia dirigir. Meu suicídio é de dose em dose, trago em trago, tiro em tiro, pico em pico, pílul...