Dia Ordinário
Fazia frio, chovia e era madrugada. Eu rastejava pela sarjeta com muita dificuldade, devido aos maus tratos das drogas. De longe, um vulto fantasmagórico. De perto, um ser totalmente desfigurado pelo crack. Ia me aproximando do boteco, que de longe cheirava forte a urina, e os alcoólatras me enxergavam como um monstro (O crack é muito julgado por outros usuários de drogas, mas a devastação das outras drogas são bastante semelhantes). Encharcado na porta daquele boteco, tocava Facção Central: "Desculpa mãe pela dor de me ver fumando pedra, pela Glock na gaveta, pelo gambé pulando a janela". Bem lá no âmago, no íntimo do meu ser, eu chorava forte; forte como a chuva que caía, mas por fora, era duro; duro como pedra, igual às que eu carregava nos bolsos. Eu olhava para os piores tipo de pessoa, e me sentia um merda perto delas (Também, com tantos anos nas ruas, overdoses, abandono, esquecimento, espancamento e estupro na infância, como é que eu iria me sentir melhor?). Aquele...